Acredito em fadas, gnomos, gênios, sacis, reinos encantados, mundos paralelos e na responsabilidade da palavra.
Por reconhecer o poder que a palavra exerce sobre nós, tenho como critério a qualidade do conteúdo na escolha dos livros que exponho aqui.
Não mantenho vínculo de divulgação com editoras, livrarias ou escritores.
Os livros que recomendo fazem parte do meu acervo pessoal.
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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Criação do Mundo - Contos e Lendas Afro-brasileiros

 Escrever sobre este livro é tarefa muito agradável. Leitura em que não se sente o tempo passar. O autor nos leva para as cenas dos contos com facilidade e assim podemos ser capazes de circular por entre os personagens sem que nos percebam e viver todos os momentos da criação do mundo, através da mitologia dos orixás.
Adetutu, uma jovem africana, é capturada por caçadores de escravos e levada ao Brasil num navio negreiro. Durante árdua viagem sonha com a criação do mundo pelos orixás. Ela se transporta  e acompanha todos os momentos da criação. De cada orixá ganha um presente que os representa e guarda  em uma sacolinha que leva consigo.
Adetutu tem a honra de encontrar os deuses de seu povo, Oxalá, Xangô, Iemanjá, Iansã, Exu, Ogum, Oxóssi, Ossaim, Ibejis, Iroco, Nanã, Omulu, Oxumarê, Euá, Obá, Oxum, Logum Edé, Ifá, Odudua, Oxaguiã. Cada um com seus mitos, ritos e objetos sagrados.
O navio negreiro chega ao Brasil, na cidade de Salvador, Bahia. Adetutu, se torna Maria da Conceição e protagoniza, como iniciada nos rigores da religião africana, a ancoragem do Candomblé, em terras brasileiras.
Reginaldo Prandi, professor da USP, escreveu muitos livros de sociologia e mitologia, entre eles,  Mitologia dos Orixás e Segredos Guardados, que é uma excelente sugestão para quem deseja se aprofundar no panteão africano. Também escreveu livros infantojuvenis abordando temas da mitologia africana. Joana Lira, ilustra o texto compondo a obra com primazia.
Também acompanha o livro um apêndice, que nos esclarece sobre os deuses da mitologia afro-brasileira.
Mais uma sugestão de leitura deixo aqui. Estou certa que lhe encantará!





sábado, 23 de julho de 2016

Os Meninos Verdes

Certa vez, os netos da vovó Coralina lhe pediram para contar a estória dos Meninos Verdes. Vovó deixa claro que não é uma estória, e sim um acontecido e sigiloso! Conta, mas só para eles!Tudo acontece na Casa Velha da Ponte, mais precisamente, na horta. Seu Vicente, que sempre cuidou de todas as plantações, foi quem encontrou os Meninos Verdes, quando um dia viu duas plantas muito diferentes, que quiz jogar fora, mas vovó Coralina não deixou e pediu que observasse o que aconteceria com elas. Depois de alguns dias seu Vicente mostrou, todo espantado, a natureza daquelas plantas. Vovó viu! Eram menininhos verdes, bem pequeninos, gelatinosos, com dentes pontudos e unhas como garras de passarinho. Sete ao todo, quatro menininhas e três menininhos. E assim ficaram na casa, sendo muito bem cuidados. Os menininhos cresciam vitalizados e aos poucos vovó Coralina foi se vendo em apuros, tamanha a esperteza dos serezinhos. E não é que o acontecido chegou ao conhecimento da Primeira Dama? E é claro, depois ao Presidente da República? E é claro, ao corpo científico nacional e é claro, internacional, depois? Bem, o que era sigiloso, se tornou um estudo muito curioso, pois afinal, quem eram os Meninos Verdes? Duendes? Gênios Verdes? Ou simplesmente Meninos Verdes?
Cora Coralina, chama este conto de estória, mas eu digo que é uma história, porque acredito que Meninos Verdes existem e se você tiver uma horta ou jardim, quem sabe pode tê-los bem perto de você!
O texto é de Cora Coralina e as ilustrações de Cláudia Scatamacchia. O livro é lindo demais. Um encanto, como tudo de Cora Coralina!
 
Ilustração
 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O Rei Mocho

O Rei Mocho (conto originário dos sena, etnia do centro de Moçambique) é o primeiro volume de uma coletânea de dez volumes intitulada Contos de Moçambique, resultado de um projeto de colaboração entre a Escola Portuguesa de Moçambique e a Fundació Contes pel Món, de Barcelona, Espanha. Em 2016 temos a primeira edição brasileira desta coletânea que começa com este inspirador conto, a nos mostrar um reino de pássaros ao ver sua harmonia modificada por uma intervenção vinda de uma dedução, que faz acreditar haver má fé na consagração de mocho como rei dos pássaros, empossado para defender e manter a segurança da comunidade por ter chifres, mas que de fato eram penas em forma de chifres. Aqui o questionamento se faz no sentido da intervenção ou seja, levanta a dúvida do quanto é benéfico intervir com julgamento numa situação que, de certa forma corre bem. Faz indagar até que ponto nosso conceito de verdade pode provocar danos, pois nem sempre o que imaginamos ser um dano, pode de fato ser, e quando interferimos baseados em nossa visão podemos causar um desequilíbrio, muitas vezes de difícil solução. Ungulani Ba Ka Khosa, nome tsonga ( grupo étnico do sul de Moçambique) de Francisco Esaú Cossa, que reconta este conto introduzindo a figura humana como elemento a causar o desequilíbrio no reino dos pássaros, mesmo não existindo na forma original, por perceber o Homem como responsável nos desequilíbrios no ambiente ao seu redor. Destaco as palavras do autor ao explicar seus sentimentos ao ler o conto O Rei Mocho, por considerá-las de grande importância na reflexão que esta obra pode causar: "...o que mais me afetou foi esse saber secular demonstrado na história de que o crime moral, étnico, é tão ou mais cruel como os outros crimes. E a reparação desses males, seguindo a moral da história, valem por uma vida inteira. É uma lição que os tempos modernos tendem a anular." E ao se referir à intervenção arbitrária, ele continua dizendo em outro trecho: "...Imaginemos que o mocho tinha certeza de que os tufos de penas que alcandoravam na cabeça eram chifres à dimensão da sua espécie, e que outros pássaros tinham deste fato consciência. Mas o homem, querendo impor a dita verdade, dita outras regras..." Para completar a magnitude deste livro, as ilustrações são realizadas com pinturas em técnica de batique, de colorido fantástico, pelo artista moçambicano Americo Mavale. Fica pra você esta indicação, que me causou grande admiração. Eu ficarei no aguardo dos outros volumes e quando acontecerem trarei para mostrar-lhe com satisfação e alegria.

Ilustração



sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Catador de Pensamentos

Você conhece o Sr. Rabuja? Se não conhece precisa conhecer! Ele é um homem já idoso que faz algo muito especial. É um catador de pensamentos. Acha estranho? Pode parecer, mas é admirável seu ofício. Toda manhã, sempre as seis e meia, Sr. Rabuja passa pelas ruas da cidade onde mora catando pensamentos. Ele pode ouví-los, estejam onde estiverem, e quando os percebe, através de um suave assobio os atrai para sua mochila. É assim o dia inteiro. Depois os leva para casa e lá os separa por letras. Sim, letras! Prateleira A para pensamentos amáveis, agressivos.... Na prateleira B ficam os pensamentos bobos, bondosos.... Na C organiza os corajosos, caóticos....e assim até Z. E o mais bonito de tudo isso é que logo depois que descansa, planta todos esses pensamentos em canteiros de seu jardim e bem cedinho, um pouco antes do Sol surgir, Sr. Rabuja acorda e corre para ver as lindas flores que brotam, de todas as cores e formas. Tudo é encantador até que estas flores se transformam em partículas que sobem pelo ar emanando suaves sons! Não é fantástico! E estes pedacinhos de flores/pensamento entram pelas frestas das casas enquanto as pessoas ainda dormem, se depositam em suas testas estimulando sonhos e novos pensamentos.
A ideia de Monika Feth em escrever este texto foi demais feliz. Ela nos leva para um mundo que muitas vezes não nos damos conta, mas que está o tempo todo em nós e a nossa volta: os pensamentos que criamos, que tem vida, muito mais do que podemos imaginar! E com as ilustrações de Antoni Boratynski, tudo se torna deslumbrante.
Este é um livro que me fascinou logo na primeira leitura e estou certa de que você também gostará, especialmente se aprecia temas profundos e multifacetados, expostos de maneira inteligente e sensível.

sr.  Rabuja chama os pensamentos

 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dunas de Água


"As palavras se diluem no ar e Zohra mergulha num sono profundo. Sonha com o pai e outros tuaregues jogando as redes nas águas do mar. Depois, eles as recolhem cheias de peixes e estrelas. Guardam os peixes nas cestas e jogam as estrelas para o alto, uma por uma, e elas vão se pendurando no céu." Não é lindo o texto? É um pequeno trecho deste livro, que é encantador desde a primeira página até a última. A narrativa e as belas ilustrações compõem esta obra que fala de uma menina tuaregue chamada Zohra. Ela ajuda sua mãe nas tarefas, conhece bem o calor e a areia do deserto que constrói as dunas, imagem constante para a menina delicada, mas muito esforçada. Numa tarde, pela primeira vez, a menina toma chá com a mãe, os avós, sua amiga Tinedla e suas tias. Enquanto a avó conta uma história antiga quando o deserto era um imenso mar azul, onde o vento formava grandes dunas de água, Zhora no embalo das palavras adormece e sonha. O mar toma conta de sua mente e a menina, encantada, vê seu pai tornar-se um pescador em cenas de peixes e estrelas. Quando é acordada pela mãe, deseja conhecer o mar com o pai. Zhora vive entre dois mundos: o que conhece e o que deseja conhecer. Quando o pai volta com a caravana que foi buscar sal, traz para a filha uma linda concha. É através dela que a menina ouve o som do mar quando a aproxima do ouvido e deseja mais ainda vê-lo. Seu pai lhe promete que quando completar treze anos a levará consigo em caravana para conhecer o mar. E assim, ela espera chegar o dia de sentir a água salgada, ver as estrelas e os peixes que vivem em seu sonho. O texto é de Javier Sobrino, espanhol, nascido em 1960. Professor e escritor de educação infantil. As belas ilustrações são de Alfonso Ruano, também espanhol, nascido em 1949. Mergulhem no sonho de Zhora e se encantem com este poema em forma de livro.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O Violino Cigano (e outros contos de mulheres sábias)

Contos recontados por Regina Machado e ilustrados por Joubert. São um primor e todos nos trazem a inteligência feminina. Regina os escolheu fundamentada em certas qualidades que considera femininas, como escreve: "receptividade, eloquência, sensibilidade, paciência, fecundidade, espera, concavidade, leveza, maciez, umidade, calor e proteção." e continua descrevendo esse universo em: "lago e não rio, gruta e não planície, terra e não chuva, cheio de atalhos e não direto."
É uma coletânea de dezesseis contos de várias origens: árabe, tibetana, turquestana, irlandesa, armênia, caucasiana, brasileira, persa, indiana, cigana, chinesa e grega.
Não sei qual deles é o mais bonito! Posso dizer que todos tem uma lição que dará margem à reflexão e compreensão do ser mulher.
Fica aqui mais uma sugestão para quem deseja mergulhar no mundo dos contos, que são contados e recontados para nos despertar no mais íntimo do nosso ser!
 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Contos e Lendas da Europa Medieval

Livro que faz parte de uma magnífica coleção de quinze títulos sobre o universo dos contos e lendas (gregos, africanos, egípcios, brasileiros, árabes, vikings, Roma antiga, Hércules, jogos olímpicos, cidades e mundos desaparecidos e cavaleiros da Távola Redonda).
Com texto de Gilles Massardier e ilustrações de Arnauld Rouèche será possível transitar por entre dragões, cavaleiros, lobisomens, monges, contadores de histórias, princesas, fadas e é claro, o diabo, que não poderia faltar! O clima criado é fantástico, onde a imaginação e o sobrenatural abusam de seus poderes.
São onze contos muito interessantes e se você, como eu, gosta do imaginário medieval, vai adorar cada página! Tudo é descrito com muita propriedade por Gilles, um professor de história, que tem interesse pela literatura medieval desde criança, talvez por isso sua narrativa seja tão agradável e envolvente!
Fica aqui mais uma dica para enriquecer sua biblioteca pessoal.